12 meses de Poe #04 ♥

Poe - Juliana Fiorese

Há qualquer coisa no amor altruísta e abnegado de uma
criatura bruta que cala fundo no coração de quem muitas
vezes já teve ocasião de experimentar a amizade mesquinha
e a fidelidade impalpável do mero Homem“.
[O Gato Preto]
[Contos de imaginação e mistério, p. 82]

Consegui ficar em dia com o projeto 12 meses de Poe, gente !!

Para quem ainda não sabe, o 12 meses de Poe foi criado pela Anna este aqui é o blog dela – e vale a pena conhecer e participar também ♥.

Eu só não estou seguindo os contos que ela escolheu porque eu tenho um livro de Edgar Allan Poepor enquanto – e resolvi seguir a ordem de contos que tem nele. Mas já fica aqui o meu eterno agradecimento para a Anna, por criar um projeto tão lindo e incentivar a leitura da obra do Poeeu estou adorando.

Então, hoje eu vou falar sobre o quarto conto que eu li para o 12 meses de Poe: O Gato Preto ♥ – sem spoiler – !!

Poe - Juliana Fiorese

Narrado em primeira pessoa, a primeira informação que a gente tem no conto O Gato Preto é que a personagem está nos avisando que ele não é louco. Apesar de dito isto, durante toda a minha leitura eu fiquei com o pensamento: “esse cara é louco, esse cara é louco”.

A história é sobre um homem que, desde criança, sempre gostou muito de animais e era uma pessoa muito dócil e humana. Ao longo de sua vida ele teve muitos animais de estimação: cachorros, pássaros, coelhos e um gato preto.

De todos os animais, o que ele mais gostava era o gato. E o sentimento do gato era recíproco, pois ele vivia perto do dono, indo para qualquer lugar que o homem fosse.

Poe - Juliana Fiorese

O problema é que o homem, além de afundar-se no alcoolismo, começou a mudar o seu comportamento e tornou-se muito rude e hostil, passando a maltratar os animais, as pessoas e o próprio gato preto.

O primeiro crime que o homem comete é arrancar o olho do gato. Essa e muitas outras atrocidades vão sendo narradas ao longo do conto e o leitor fica – pelo menos eu fiquei – impressionado com a frieza que aquele homem está nos contando tudo o que ele fez – porque sim, parece que o narrador está sentando na nossa frente enquanto nos conta as coisas absurdas que ele fez.

A partir daí, coisas esquisitas vão começar a acontecer ao homem. Eu não vou contar o que acontece porque eu acho que é interessante que todos leiam o conto. Mas vai ter um incêndio, um assassinatomuito mistério, horror e uma psicologia de culpa muito contraditória.

Poe - Juliana Fiorese

Apesar de o narrador ter nos contado que ele sempre foi uma pessoa dócil e humana, lá no comecinho do texto, eu não acreditei nem um pouquinho se quer nele; isso só pela linguagem fria que ele utilizou ao longo de todo o texto.

Sabe quando um psicopata inventa mil mentiras – e até parece acreditar nelas – ?! Eu só consegui pensar isso sobre essa personagem.

E então sobreveio, como que para a minha ruína final e irrevogável, o espírito da PERVERSIDADE. Desse espírito a filosofia não se ocupa. Contudo, não tenho tanta convicção sobre a existência de minha alma quanto tenho de que a perversidade é um dos impulsos primitivos do coração humano – uma das indivisíveis e primordiais faculdades, ou sentimentos, que orientam o caráter do Homem. Quem nunca se pegou, uma centena de vezes, comentado algum ato vil ou tolo sem nenhum outro motivo além de saber que não deveria? Não mostramos uma perpétua inclinação, malgrado todo o nosso bom-senso, a violar essa coisa que chamamos de Lei, meramente porque a compreendemos como tal? Esse espírito de perversidade, como disse, veio para minha ruína final“. [p. 83]

Poe - Juliana Fiorese

Ah !! Em O Gato Preto existem duas palavras que estão destacadas – em caixa alta – nesta minha edição: PERVERSIDADE e PATÍBULO. Alguém sabe o por quê delas terem aparecido assim ?! Me conta aqui nos comentários, eu estou muito curiosa para saber ♥ !!

De todos os quatro contos de Poe que eu já li, esse foi o mais tranquilo e fácilapesar de tamanha crueldade, eu realmente fiquei de cara com os acontecimentos; é um conto muito pesadode ler, digamos assim.

Acredito que por existir um terceiro ponto: o gato. Nos outros contos era só o narrador e o leitor, né ?! E essas duas pessoas pareciam ser a mesma na maior parte do tempo – tenso.

Aaaah, estou adorando conhecer Poe ♥.

Poe - Juliana Fiorese

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Espero que tenham gostado da resenha de hoje.
Muito obrigada por acompanharem até aqui.

Com muito carinho ♥,
Juliana Fiorese.

♥ Para ler todos os posts do projeto #12mesesdepoe, é só clicar nesse link aqui. ♥

Catarse - Juliana Fiorese

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Juliana Fiorese

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