Frankenstein ♥ | Especial Mary Shelley

Frankenstein Mary Shelley Darkside Books - Juliana Fiorese

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A taça da vida estava envenenada para sempre e, embora o sol brilhasse
sobre meu corpo, sobre a vida feliz e alegre, nada via ao redor senão uma
escuridão densa e assustadora, que não passava pela luz, mas pelo bruxuleio
de dois olhos que fixamente estavam voltados para mim.
[Frankenstein, p. 189]

Eu sempre acho muito difícil começar a falar sobre livros que gosto muito. Normalmente, estes livros trazem uma carga de ideias e reflexões tão pesada que é complicado colocar o raciocínio em ordem.

Isso aconteceu comigo em Frankenstein, ocupando assim, um lugarzinho especial na minha lista de melhores leituras. ♥

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No primeiro contato com o livro, já somos transportados para aquela noite de 1816, ao lado de Lorde Byron, Polidori, Shelley e Mary; ao som de trovões e ao bruxulear de velas em um ambiente escuro, presenciamos as ideias muito discutidas no século XIX – e, principalmente, discutidas por estes escritores – sobre animação de matéria morta.

Através das palavras envolventes de Márcia Xavier de Britotradutora – assistimos o nascimento de Frankenstein, nesta introdução à edição brasileira publicada este ano pela DarkSide Books, em comemoração ao aniversário de 200 anos da obra.

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Em seu texto, Brito discorre sobre as correções – feitas pela própria Mary Shelley – e as publicações de Frankenstein ao longo dos anos; relembra o conto mitológico do Prometeupresente no título da obra – e passa a nos apresentar questionamentos contidos no livro sobre até onde vai o risco do orgulho intelectual ilimitado, as consequências e os perigos da busca e aquisição de conhecimento.

Nos deixa com o coração apertado ao ressaltar as divergências de caráter entre uma criatura horrível, mas tão humana e em busca de amor e aceitação, contrapondo com um homem, cientista, tão cego por suas ambições, tornando-se por isso tão monstruoso.

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Nas páginas seguintes temos o primeiro contato com a escrita de Percy Shelleymarido de Mary – no prefácio à edição de 1818 de Frankenstein, afirmando que a obra evoca combinações de Ilíada, Shakespeare e John Milton.

Percy nos apresenta um parâmetro geral sobre como a ideia inicial foi elaborada e as intenções de Mary Shelley ao desenvolver o romance.

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Graças à terceira publicação de Frankenstein, em 1831, tivemos contato com as próprias palavras de Mary Shelley que, ao nos introduzir neste universo – em algo que mais se aproxima de uma conversa -, nos apresenta um pouco de sua infância, onde alega que permitia-se sonhar acordadao que fez nos próximos anos de vida -, até a concepção da ideia sobre a história do monstro inanimado, o motivo de sua criação e parte de seu processo criativo.

Ocupei-me em pensar uma história – uma história que rivalizasse com aquelas que nos incitaram a tal tarefa. Uma que falasse aos medos misteriosos de nossa natureza e despertasse um horror eletrizante – uma história que fizesse o leitor olhar ao redor apavorado, que fizesse o sangue gelar e acelerasse o pulsar do coração. Caso não conseguisse fazê-lo, minha história de terror não seria digna deste nome. Pensei e ponderei em vão. Senti a incapacidade vazia da invenção que é a grande miséria da autoria, quando um nada tedioso responde às nossas invocações aflitas. Já pensou em uma história? Eu era questionada todas as manhãs, e cada manhã era forçada a responder com uma negativa mortificante.” [Mary Shelley, Frankenstein, p. 27]

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Mary Shelley ainda demonstra gratidão e amor pelo seu marido, Percy Shelley, que, na época da terceira publicação de Frankenstein não estava mais neste mundo, ressaltando o quão importante ele foi em sua carreira de escritora.

É impossível não sentirmos um imenso carinho por Mary Shelley depois de conhecermos sua história de vida e lermos um texto como esse.

Eu já sou fã. ♥

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Frankenstein, romance gótico – com inspirações no movimento romântico -, foi a primeira obra de ficção científica da história e incrivelmente escrito por uma mulher – aos seus 19 anos – em tempos totalmente patriarcais – 1816.

Naquela época – século XIX – , os cientistas estavam envolvidos com as novas ciências, embasadas na matemática, ciência exata, para explicar os fenômenos da natureza.

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Se hoje em dia ainda ficamos um pouco apreensivos e até um pouco aterrorizados – apesar de todas as esperanças que nos tomam conta – com algumas descobertas científicaspossibilidade de clonagem de um ser humano; testes com a ovelha Dolly; a propósito, a até que ponto ficamos sabendo dos avanços? -, imagina naquela época: o medo diante disto era inevitável.

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Dito isto, a história de Frankenstein tem início com cartas de Robert Walton – capitão marítimo explorador -, à sua irmã, Sra. Saville, contando-lhe sobre as suas aventuras no Pólo Norte.

Um evento estranho chama atenção de Walton: bem ao longe na neve, aparece uma criatura com aspecto humano e com tamanhos desproporcionais. No dia seguinte, outro evento incoerente: um homem que, por conta do derretimento de uma geleira, foi lançado ao mar é salvo pela tripulação.

Esse hóspede, Victor Frankenstein, começa a contar toda a sua história – e o que o levou até lá -, que é transcrita por Walton à sua irmã.

Temos, assim, uma história dentro de outra história com a narrativa em primeira pessoa, seja na voz de Walton – que, curiosamente, tinha uma ambição semelhante à do cientista – , de Victor Frankenstein ou da criatura.

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Victor Frankensteincientista apaixonado e com uma ambição perturbadora em desvendar os segredos físicos do mundo existentes entre o céu e a terra, depois de muito estudo, pesquisa e convivência entre mortos em catacumbas, descobre como animar matéria sem vida.

Ele estava certo de que sua criação iria mudar a humanidade para sempre e buscava intrinsecamente uma grande glória pessoal.

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Longe de casa e com tanta pressa em finalizar o projeto, Victor acaba esquecendo o mundo ao seu redor, isolando-se cada vez mais em seu trabalho e perdendo contato com a família.

Quando finalmente termina, ao olhar para a sua criação – uma criatura de dois metros e meio feita da junção de partes do corpo de várias pessoas e animais mortos -, sentiu um dos maiores horrores que já experimentara; arrependeu-se pelo que fez e fugiu, desejando não vê-la nunca mais.

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A partir dessa fuga, já é perceptível a crítica que Mary Shelley faz ao uso irresponsável da ciênciapatriarcal, naquela época – quando, Victor Frankenstein, ignorando e ultrapassando todos os limites éticos que garantiriam a segurança – não só a ele, mas a de toda a sociedade, como vimos no texto de Shelley, tendo início com sua família -, cai em uma desgraça que só vai se agravando no decorrer da história.

Proporcionalmente aos desastrosos acontecimentos, a crítica de Mary Shelley vai ganhando força na questão homem x natureza.

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Quando a primeira de muitas tragédias acontece com alguém de sua família, Victor é obrigado a voltar para casa em Genebra.

Logo, criador e criatura se encontram e nós conhecemos, através da voz da criatura, toda a sua história, desde o abrir dos olhos pela primeira vez, a percepção dos primeiros sentidos, os primeiros movimentos, ao contato com a sociedade.

Quanto mais compreendia a humanidade, mais triste e só a criatura se sentia.

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Por conta de sua aparência monstruosa, em todos os contatos que teve com os homens, a criatura foi hostilizada e agredida, mesmo fazendo-lhes favores, quando tudo o que ela queria era companhia.

Em diversos momentos nós sentimos afeição pelo “monstro” e tristeza pela sua situação.

Percebendo que foi abandonado por Victor, resolve procurá-lo, exigindo-lhe um favor em troca de paz. Assim a história se desenvolve e nós presenciamos de perto toda a fúria da criatura e vamos, ao lado de Frankenstein, sentindo toda a devastação que está por vir.

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A ambição e o psicológico de Victor e toda a rejeição do criador e da sociedade sofrida pela criatura, somadas às agressões físicas, transformam a criatura em algo aterrorizante; e é assim que surge todo o mal na história.

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Por ser mulher, Mary Shelley, apesar de todo o estudo avançado que teve e de todas as ideias à frente de seu tempo, não tinha contato com a ciência, exclusiva para os homens naquela época.

É perceptível que, a todo momento em Frankenstein, a autora condena essa ciência masculina.

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Quando pensamos no embate entre a natureza – descrita com maestria por Mary Shelley em diversas passagens no decorrer da história -, detentora de poder supremo sobre a vida, com a perspectiva iluministaem foco na época em que o livro foi escrito, seguido por Godwin (pai de Mary) e presente na faculdade em que Victor vai estudar, defendendo que o homem é controlador da natureza: quando o protagonista consegue criar a vida – do cientista Victor Frankenstein, podemos pensar em um viés feminista – fazendo jus às ideias de Mary Wollstonecraft – com crítica à sociedade patriarcal quando a natureza feminina é invadida pela ciência masculina, resultando em um desastre desproporcional.

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Mary Shelley expõe a dominância patriarcal da época e mostra como as consequências de seus atos egoístas só podem resultar em algo ruim para todos.

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Além dessa metáfora que pode ser feita, tem uma passagem em Frankenstein que me lembrou muito a própria mãe de Mary Shelley, Mary Wollstonecraft, seus pensamentos e até a educação que Mary Shelley recebeu do pai:

“A jovem falava da mãe em termos elevados e entusiásticos, que, nascida em liberdade, desprezava a servidão à qual então estava reduzida. Instruiu a filha nos dogmas de sua religião, ensinou-lhe a aspirar as altas capacidades do intelecto e incutiu-lhe uma independência de espírito proibida às mulheres seguidoras de Maomé. Essa senhora faleceu, mas as lições ficaram impressas de modo indelével na mente de Safie, que adoecia diante da perspectiva de retornar à Ásia e ser enclausurada em um harém, sendo-lhe permitido ocupar-se apenas de divertimentos infantis, inadequados para o temperamento de sua alma, agora acostumada às grandes ideias e à nobre emulação da virtude.” [Frankenstein, p. 134]

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O livro é repleto de outras críticas que nos fazem refletir com cuidado e isso vai tornando-o cada vez mais impressionante.

Passamos dos questionamentos sobre os limites éticos da ciência e a intrusão do homem em aspectos naturais à aceitação de certos saberes científicos; além de indícios sobre a amizade verdadeira; o que é o bem e o que é o mal; os preconceitos a partir do que é diferente; e até onde sentimentos como ingratidão e inveja nos levam, também abordados ao longo da narrativa.

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Por fim e ainda em tempo, tem uma passagem no livro que me impressionou muito simplesmente pelo fato de remeter a algum possível sentimento que ainda estaria por vir na vida pessoal de Mary Shelley em anos posteriores a escrita de Frankenstein:

“Por que não morri? Mais infeliz do que qualquer outro homem jamais fora, por que não mergulhei no esquecimento e no repouso? A morte arrebata muitos filhos na flor da idade, levando o sonho de inúmeros pais amorosos. Quantos noivos e amantes jovens foram, um dia, no auge da saúde e da esperança, as próximas presas dos vermes e da decadência da sepultura! De que material eu era feito para que pudesse resistir a tantos choques que, como o girar de uma roda, continuamente renovavam minha tortura?” [Frankensteinp. 183]

Impressionante, né ?!

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É isso, pessoal. ♥ ♥ ♥

Frankenstein vai falar muito, sem pudor nenhum, sobre a morte, através de uma narrativa extremamente melancólica que nos conectará intrinsecamente com os sentimentos e as angústias do narrador que, ao contar sua história, nos proporciona o maior dos pesares em cada palavra que vai dizendo até chegar ao fim do livro.

Eu amei essa história e ela certamente estará entre as melhores leituras de 2017.

Fica a indicação de um livro incrível !! ♥

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Alguém já leu Frankenstein ?! O que achou ?! Quem não leu, pretende ler também ?! Me contem aqui nos comentários, eu adoraria conhecer a opinião de vocês ♥ !!

Desejo a todas as mulheres um dia maravilhoso !!! Vocês são incríveis !! Feliz Dia Internacional da Mulher !! ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥

Espero que tenham gostado do post de hoje.
Muito obrigada por acompanharem até aqui e até amanhã !!

Com muito carinho ♥,
Juliana Fiorese.

Links do Especial Mary Shelley:

Introdução e Unboxing | Projeto Gráfico Edição DarkSide Books | Mary Shelley e Mary Wollstonecraft |
Processo Criativo Ilustração Mary Shelley | Impressões de Leitura Frankenstein |
Impressões de Leitura Contos | Melhores Frases | Por onde andas, oh, Frankenstein |
Sorteio e agradecimentos

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Juliana Fiorese

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