Lendo Os Miseráveis #3 ♥

Os Miseráveis - Juliana Fiorese

Os olhos do espírito não podem encontrar em nenhum
lugar nada mais ofuscante, nada mais tenebroso que
o homem; não poderão fixar-se em nada mais temível,
mais complicado, mais misterioso e mais infinito.
Existe uma coisa que é maior que o mar: o céu. Existe
um espetáculo maior que o céu: é o interior de uma
alma humana.”
[Os Miseráveis, p.321]

Eu já contei para vocês que eu estou muito – muito mesmoanimada com a Leitura Coletiva de Os Miseráveis, não contei ♥ ?!

Acontece que eu não estou mais conseguindo ficar longe do livro – sem nenhum exagero, gente. Alguém já chegou nesse nível também ?!

Os Miseráveis - Juliana Fiorese

Os Miseráveis - Juliana Fiorese

Bom, hoje terminamos a nossa terceira semana de Leitura Coletiva e esse post vai abranger um pouquinho mais de páginas do que o estipulado pela meta de 150 páginas por semana.

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Eu resolvi fazer isso porque a meta praticamente terminava no meio da explicação sobre a Batalha de Waterloo… Achei mais interessante concluir pelo menos esse primeiro livro da parte de Cosette e inclui-lo aqui também – no próximo diário tudo se normaliza.

Os Miseráveis - Juliana Fiorese

Então, o diário de leitura de hoje envolverá da página 296 à página 510.

Lembrando sempre que esses posts tratam-se de anotações e observações feitas ao longo da minha leitura, podendo conter spoilers, gente. Fica o aviso ♥.

Os Miseráveis - Juliana Fiorese

♥ Da página 296 à página 510 ♥

Os Miseráveis - Juliana Fiorese

Os Miseráveis - Juliana Fiorese

Depois de todo aquele episódio lá na delegacia, Madeleine leva Fantine para a enfermaria de sua própria casa e a deixa sob os cuidados de duas irmãs; uma delas com o nome de Simplice que, à propósito, nunca mente – esse fato é importante no desenrolar da história.

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Descobrimos então que Fantine está muito doente, com uma tosse horrível e ardendo em febre. Cada vez pior, já nos limites de sua saúde, ela tem delírios e só deseja ver a sua filha, Cosette. Por incrível que pareça, só o fato de acreditar que verá a filha em breve, Fantine milagrosamente melhora.

Madeleine promete ir buscar Cosette pessoalmente. Porém, surge um tremendo de um imprevisto !!

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Javert, que nós sabemos que nunca gostou de Madeleine, declara que avisou para as autoridades que ele – Madeleine – não era ninguém menos que um ex forçado perigoso e procurado pela polícia. Nessa conversa nós ficamos sabendo também como o próprio Javert desistiu dessa antiga desconfiança e dessa ideia fixa que o acompanhava ao longo de sete anos, a partir do caso em julgamento de Champmathieu, que todos alegavam fortemente ser o verdadeiro Jean Valjean.

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Nesse ponto da história – e, talvez, aqui está o spoiler – nós já eliminamos todas as nossas dúvidas e passamos a ter certeza de quem realmente é o Sr. Madeleine, não é mesmo?

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Jean Valjean, ao chegar em Montreuil-sur-Mer, resolveu abraçar uma nova identidade e praticar apenas o bem para com o próximo como uma forma de redenção, levando em consideração toda a bondade que o Bispo C. Myriel lhe ensinou e, assim, escondendo a sua própria identidade e o seu passado, com medo que o descobrissem.

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Ele fez isso muito bem ao longo de todos esses anos, até o presente momento.

Então, esse livro sétimo vai abordar o grande questionamento de Jean Valjean: deixar que Champmathieu seja acusado e preso em seu lugar, ficar livre do seu passado para sempre, porém com a consciência pesada acompanhando-o por toda a sua vida; ou, entregar-se, livrar o inocente e voltar para as galés como forçado.

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Nós acompanhamos toda a crise de consciência de Jean Valjean, ficamos conhecendo todos os seus argumentos e defesas para as duas escolhas, os prós e os contras de cada opção, o ponto de vista direcionado à ele, o ponto de vista direcionado às pessoas que ele cuida – Fantine, Cosette, a população da cidade -, enfim, tudo o que se passa na mente do personagem, toda a sua angústia, todo o seu sofrimento interno e a loucura que tudo isso o leva, nós sentimos também.

E eu fiquei impressionada como Victor Hugo conseguiu, a partir de sua escrita, transmitir tanta verdade e tanto sentimento ao leitor. O cara foi genial.

A maioria dos capítulos de Os Miseráveis são curtos, mas especificamente esse foi um capítulo bem longo; creio que de maneira proposital justamente na tentativa de nos fazer imergir na mente do personagem e sentirmos toda a aflição que ele vivia naquele momento.

E, oh, nós ficamos com essas dúvidas e com essas frequentes mudanças de ideias até o último capítulo !! Por fim, temos a grande revelação. É de tirar o fôlego !!

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E, finalmente, chegamos ao livro oitavo.

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Sabe quando você só faz o bem para todo mundo durante sete longos anos, ajuda as pessoas e o desenvolvimento de toda uma cidade, faz coisas imensamente boas, porém, quando descobrem uma “coisinha diferente” na sua história, um “errinho”, por menor que seja, algo que ficou lá no seu passado longíquo, o que fica na memória e o que é lembrado por essas mesmas pessoas que foram ajudadas, é só esse detalhezinho ruim?

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Pronto, exatamente toda a bondade e todos os benefícios que Jean Valjean trouxe para população de Montreuil-sur-Mer e redondezas foram facilmente esquecidos em detrimento a algo tão distante, que não ia alterar absolutamente nada na vida de ninguém !! Vê se pode ?!

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E é sobre isso que o livro oitavo vai falar. Além de fazer essa grande crítica à sociedade, nós vamos ficar sabendo sobre o triste destino de Fantine e o que acontece com Jean Valjean diante de Javert que, felizmente – somente para ele -, deu a volta por cima e viu que suas desconfianças sempre foram legítimas !

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Chegamos então à Parte 2 | Cosette, e o livro primeiro que nos recebe trata-se de um relato sobre a Batalha de Waterloo.

Confesso que esse, até agora, foi o momento que eu achei mais difícil em toda a minha leitura – demorei muito para alcançar o final desse livro – mas, valeu muito à pena prestar atenção em tudo que foi relatado aqui.

O que eu mais achei incrível foi conhecer um pouco sobre algumas estratégias de guerra.

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Nós começamos conhecendo o percurso que o narrador faz pela estrada de Nivelles até chegar em Hougomont, descrevendo toda a situação pós batalha, mostrando os escombros resultantes de Waterloo.

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Depois o narrador imerge na história e vai nos contar exatamente – através de seu ponto de vista – o que aconteceu ali naquele campo de batalha ao longo de todo o dia 18 de junho de 1815.

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Batalha de Waterloo, por Clément-Auguste Andrieux, de 1852. Fonte: Opera Mundi

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Mapa da Batalha de Waterloo. Fonte: Castelo Histórico

Vamos ficar sabendo – mais uma vez, do ponto de vista do narrador – as estratégias de guerra de Napoleãofranceses – e de Wellingtoningleses -, as investidas prussianas, os aliados, a autoconfiança de Napoleão, assim como todo o seu azar, atrasos, defesas, ataques, o destino – que o narrador chama de Providência, como se fosse mesmo algo divino intervindo – atrapalhando os planos de Napoleão e, por fim, a retirada dos franceses.

Lógico que isso foi bem por cima, né? Vale muito a pena ler todo esse livro, tá, gente?

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Atores com trajes da época encenam a batalha de Ligny, (última vitória de Napoleão Bonaparte na Guerra dos Cem Dias), durante as comemorações do bicentenário da Batalha de Waterloo. Fonte: Bol

Depois o narrador vai nos contar que – do seu ponto de vista – o que aconteceu em Waterloo não havia sido uma batalha em si e sim um grande massacre !! Daí vai nos descrever como tudo havia ficado com o término da batalha, a quantidade de mortos e o estado desses mortos / meio mortos, e o que foi feito com os corpos dos combatentes…

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Belgas reencenam o “ataque francês” durante as comemorações do bicentenário da Batalha de Waterloo, em Ligny, Bélgica. Fonte: Bol

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Reencenação da Batalha de Waterloo, na Bélgica; ator representa o duque de Wellington, durante as comemorações do bicentenário para do conflito. Fonte: Bol

O mais legal de ter acompanhado toda essa história ao lado do narrador – enxergando tudo o que ele ia nos contando e descrevendo aos poucos – foi participar do momento que, lá no final do livro primeiro, esse narrador sutilmente nos envolve novamente no clima da história de Os Miseráveis, trazendo um personagem que a gente conhece para esse cenário caótico pós batalha, ainda em 18 de junho de 1815.

É sensacional !! Aí, você vê esse personagem e só tem vontade de xingar: babaca !!

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Cada vez mais eu fico impressionada com a escrita de Victor Hugo e como ele consegue mexer com os diversos sentimentos do leitor. A maneira que ele escolhe para nos introduzir em um contexto, seja este ficcional ou não, é sensacional e acaba nos envolvendo ainda mais.

E acho que é por isso que eu não canso de dizer: que livro incrível.

Os Miseráveis - Juliana Fiorese

A única ressalva que faço é: tenham paciência com o livro de Waterloo. No final vai valer a pena ♥ . Mesmo.

Vou deixar aqui um vídeo com algumas cenas do filme de Waterloo:

E o trecho do filme de Napoleão Bonaparte que retrata a Batalha de Waterloo:

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E vocês? Em que parte estão e como estão em relação à história?
Alguém está sentindo-se empolgado para começar a ler o livro?
Gostaria muito de saber, me contem aqui nos comentários ♥ !!

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Espero que tenham gostado do segundo post do projeto Lendo Os Miseráveis. Até a próxima sexta, com mais diário de leitura.

Muito obrigada por acompanharem até aqui.

Com carinho , Juliana Fiorese.

♥ Para ler todos os posts do projeto Lendo Os Miseráveis, clica aqui

Juliana Fiorese

0 comments

    1. Oii Fabi !! <3 <3 <3

      Aaaah, que linda !!
      Estou muito feliz em saber que tem acompanhado o meu diário de leitura de Os Miseráveis !!
      Eu realmente estou muito apaixonada pela leitura; ela já se tornou uma das mais importantes da vida !
      E olha que eu ainda nem terminei o primeiro volume do livro !! ahaha xD

      Obrigada por estar acompanhando !!

      Beijos e ótimas leituras para você também !! <3 <3 <3

  1. Muito legal seu post =]… Super concordo com o livro de Waterloo, depois acaba valendo a pena! Eu estou assim também não largo mais o livro ‘-‘ Livro incrível !

  2. Ah, eu sempre fico impressionada com o quanto em algumas situações à respeito do livro, pensamos igual! O que achou daquela cena final de Javert, Jean Valjean e Fantine? Me conte *-*
    Acho que os momentos descritivos do livro são o ponto auge, poxa, estamos conhecendo a história (mesmo sendo do ponto de vista do narrador) da França.
    O que é esse livro de Waterloo? Houve algumas partes que eu simplesmente não conseguia prosseguir com a leitura e tive que parar pra chorar. Principalmente quando o narrador nos conta o que aconteceu com os corpos no campo de batalha :/ triste! Consegui visualizar tudinho!
    Adorei o post 🙂
    Beijos

    1. Aaaah, que legal, Ana !! ahaha 😀

      Aquela parte final de Javert, Jean Valjean e Fantine me deixou com o coração na mão, né ?! Tipo… Já dava pra saber que Fantine ia terminar daquele jeito, porque não tinha como ser de outra forma… Mas eu não esperava que seria por conta de um “choque” causado pela situação que acabava de se formar – com a chegada de Javert. =O

      Também estou adorando os momentos históricos do livro !! Mas foi difícil de passar do livro de Waterloo, porque eu estava muito ansiosa com a volta dos personagens, sabe ?! Para saber o que aconteceria com cada um !! A parte do que faziam com os corpos no campo de batalha era bem pesado mesmo !! Mas a parte que eu mais gostei foi da estratégia da Inglaterra, que ficou com o batalhão abaixado, escondido no mato, em determinado momento que o informante de Napoleão foi ver como estava por lá, daí avisou que eles tinham se retirado, e quando a tropa francesa chegou lá, eles apareceram !! Eu achei sensacional… E as outras estratégias de guerra também… Muito interessante se aprofundar nesse tema !!

      E, bom, o livro está sensacional !! <3 <3 <3

      Estou feliz em saber que gostou do post !! Obrigada !!

      Beijos !! <3 <3 <3

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