Mary Shelley e Mary Wollstonecraft ♥ Frankenstein | Especial Mary Shelley

Frankenstein Mary Shelley Darkside Books - Juliana Fiorese

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Uma mente ativa, um tanto imperativa e singularmente brilhante. Seu desejo de
conhecimento é grande, e sua perseverança em tudo
 o que empreende é quase invencível.
[William Godwin, descreve Mary Shelley em seus 15 anos; fonte]

Eu acredito que nós somos um reflexo daquilo que consumimos, daquilo que vimos, daquilo que vivemos, de tudo o que está à nossa volta, o que nos causa alegria, o que nos angustia.

 Assim, nossos pensamentos, nossos questionamentos, nossas esperanças e sonhos, nascem daquilo que somos, daquilo em que nos transformamos.

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Não me surpreende que as ideias contidas em Frankenstein tenham vindo de Mary Shelley, esta que viveu uma vida inteiramente literária e que teve sempre como dama de companhia a morte através de perdas que desestabilizariam qualquer um.

Apesar de todos os reveses, ela encontrou forças – especialmente na literatura – para seguir lutando por direitos e encontrando conforto na escrita, permitindo-se continuar vivendo. ♥

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Exemplo de força, pensamentos visionários, cultivo à leitura e à escrita, e de mulher empoderada muito à frente de seu tempo, Mary Shelley merece uma atenção especial para passearmos pela sua história e entendermos o que ela foi, homenageando-a nesta semana em que comemora-se o Dia Internacional da Mulher.

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Filha do filósofo William Godwin e da filósofa feminista Mary Wollstonecraft, Mary só teve oportunidade de estar presente ao lada da mãe em seus primeiros dez dias de vida.

Através da leitura dos livros, manuscritos e memórias de Wollstonecraft, Mary sentia-se próxima de sua mãe, fomentando seu amor por ela.

Mary Wollstonecraft foi pioneira do feminismo e autora do primeiro tratado feminista da história – falaremos, ainda nesse post, sobre ela – e faleceu por conta de complicações no parto.

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A infância de Mary foi feliz e seu pai deu-lhe uma educação rica, porém incomum e avançada para uma garota daqueles tempos, acrescentando, inclusive, teorias políticas liberais e o contato com muitos intelectuais.

Problemas financeiros surgiram e dívidas começaram a assombrar a família Godwin. Por pouco, Willian Godwin escapou da prisão, graças à ajuda financeira de seus fiéis seguidores filósofos – respeito é tudo, né? -. Mary tinha em torno de 12 anos na época.

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Aos quase 17 anos, Mary iniciou um romance com o poeta-filósofo Percy Bysshe Shelley – cinco anos mais velho que ela e, na época, casado! -, filho de aristocratas que condenavam seus pensamentos e nunca apoiaram as suas causas.

Percy Shelley sempre incentivou Mary em seu trabalho literário. ♥

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Retrato de Percy B. Shelley. Fonte: Wikipedia

Assim como os pais de Percy, Godwin não apoiava o relacionamento dos dois. Em 1814, o jovem casal fugiu para a França – devastada pela guerra -, levando também Claire Clairmontfilha da madrasta de Mary – e os manuscritos de Wollstonecraft, deixando para trás a esposa grávida de Percy.

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Em pouco tempo, viajaram para a Suíça, enfrentando muitas dificuldades financeiras. Nesta viagem, Mary engravidou pela primeira vez, e os três – Mary, Percy e Claire – voltaram para a Inglaterra, onde não encontraram ajuda dos familiares e passaram a viver de alojamento em alojamento.

Muitas vezes doente, Mary precisou acompanhar a alegria de Percy pelo nascimento de seu segundo filho com a esposa e os contínuos passeios dele com Claire mesmo sendo adepta ao amor livre.

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Sua primeira filha nasceu prematura de dois meses em fevereiro de 1815; mas a morte aproximou-se pela segunda vez, levando-a de Mary e deixando-a em depressão e assombrada com visões do bebê.

Meu querido Hogg, meu bebê está morto – venha me ver logo que puder. Quero te ver – Ele estava perfeitamente bem fui para a cama – acordei no meio da noite para amamentá-lo e parecia estar dormindo tão tranquilo que eu não quis acordá-lo. Ele morreu em seguida, mas não encontramos “a causa” até de manhã – sua aparência mostra, evidentemente, que morreu de convulsões – Você pode vir – Shelley tem medo da febre do leite – para mim eu não sou mais uma mãe agora.” Carta de Mary Shelley para seu amigo Hoggfonte.

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Em janeiro de 1816, nasceu o segundo filho de Mary, William; e, em maio do mesmo ano, a família, em companhia de Claire, viajou para Genebra, onde encontrou-se com o poeta Lord Byrono qual deixou Claire grávida – e com John William Polidori.

Em junho, Mary começou a escrever o que viria ser seu mais aclamado romance, Frankenstein – finalizado em 1817 e publicado em janeiro de 1818.

“No verão de 1816, Mary e um grupo de escritores ingleses — seu marido, Percy Shelly, o poeta Lord Byron e John William Polidori — dividiam uma casa na villa Diodatti, na Suíça. Entusiasmados pela leitura de uma edição francesa de Fantasmagoriana — coletânea de histórias sobre aparições, espectros, sonhos e fantasmas —, os quatro aceitaram o desafio de escrever um conto de terror cada. Mary concebeu a origem de Frankenstein. E curiosamente, Polidori escreveu o que viria a ser O Vampiro, romance que serviria de inspiração para Drácula, de Bram Stoker.” DarkSide Books, fonte

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Em outubro, Mary recebeu a notícia devastadora sobre o suicídio de Fanny Imlaysua meia-irmã, filha de Wollstonecraft fora do casamento -. Dois meses após este acontecimento, a esposa de Percy cometeu o mesmo ato.

Percy e Mary – grávida pela terceira vez; Clara nasceu em setembro de 1817 – casaram-se em Londres no dia 30 de dezembro de 1816, aproximando novamente os Godwin.

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Com saúde debilitada, muitas dívidas e medo crescente de perderem a custódia dos filhos, os Shelley saíram da Inglaterra em março de 1818 com destino à Itália, onde viveram sem estabelecer-se em local definido e a morte apareceu, mais uma vez, levando consigo Claraem setembro de 1818 – e Williamem junho de 1819.

Com essa tragédia, Mary Shelley entrou em profunda depressão, afastando-se de Percy e encontrando conforto apenas na escrita. Somente com o nascimento de seu quarto filho, Percy Florence – novembro de 1819 -, Mary animou-se, mas nunca, ao longo de toda a sua vida, esqueceu-se dos seus filhos perdidos.

Apesar de tudo, no período em que estiveram na Itália, os momentos criativos e produtivos de Mary e Percy foram muito intensos.

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Como se não bastasse todo o sofrimento, em junho de 1822, Mary Shelley abortou seu quinto filho e perdeu tanto sangue que quase chegou à morte. Percy, com muita agilidade, tomou providências que salvaram a vida da esposa.

Um mês depois desse episódio, Percy morreu em um naufrágio.

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Em meio a tanta tristeza e pobreza, Mary Shelley passou a viver precariamente de seus escritos exclusivamente para o bem-estar e os estudos do filho – que, posteriormente, ajudou e ficou ao lado da mãe -. ♥

Através da edição dos poemas de Percy Shelley, Mary procurou imortalizar o seu amado marido; os poemas dele ficaram então muito conhecidos.

Mary Shelley e Percy Florence só foram financeiramente independentes a partir de 1826, quando Florence herdou uma pequena herança por parte de pai.

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Em fevereiro de 1851, aos 53 anos, Mary Shelley faleceu.

Um ano após a sua morte, foi descoberto que Mary guardava em sua escrivaninha mechas de cabelos dos seus filhos mortos, um caderno compartilhado com Percy Shelley, uma cópia de seu poema Adonais e um pedaço de seda que envolvia cinzas e restos do coração dele. fonte.

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Além de Frankenstein, Mary Shelley também publicou textos em livros de coletâneas, artigos e pequenas histórias para revistas e outros romanceslistados abaixo com os respectivos anos de publicação.

1817: History of a Six Weeks Tuor;
1818: Frankenstein;
1823: Valperga;
1823: segunda edição de Frankenstein;
1826: The Last Man;
1830: Perkin Warbeck;
1831: terceira publicação de Frankenstein;
1835: Lodore;
1837: Falkner;
1844: Rambles in Germany and Italy;
1959: Mathilda 

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Mary Wollstonecraft in 1790–1. Fonte: Wikipedia.

É por justiça, e não caridade, que nosso mundo anseia.
Mary Wollstonecraft

Mary Wollstonecraft, mãe de Mary Shelley, também merece um destaque especial nesta semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher.

Escritora e filósofa inglesa do século XVIII e defensora dos direitos da mulher, Wollstonecraft escreveu o documento – extremamente revolucionário para a época – precursor do feminismo: A Reivindicação dos Direitos da Mulher, em 1792; época esta marcada pelas transformações do capitalismo industrial, ela discorre sobre o papel da mulher na sociedade.

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Página inicial da primeira edição americana da obra A Reivindicação dos Direitos da Mulher. Fonte: Wikipedia.

O tratado de Wollstonecraft denuncia toda a restrição das mulheres ao acesso a direitos básicos, especialmente o acesso à educação formal, defendendo que as mulheres deveriam ser letradas, cultas e racionais.

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Mary Wollstonecraft, 1797. Fonte: Wikipedia.

Além de precursora do feminismo, Wollstonecraft também foi militante antiescravagista, era solteira quando teve sua primeira filha; defendeu o amor livre e a não obrigatoriedade do casamento; foi uma escritora reconhecida já em vida, autora de uma série de romances, tratados, narrativas de viagens e, inclusive, uma história da Revolução Francesa.

Já imaginou pensar e falar sobre isso naquele tempo ?! Em outras palavras, Mary Wollstonecraft foi uma mulher à frente de seu tempo. ♥

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Depois de conhecer um pouco da história de vida destas duas mulheres incríveis, fica impossível não nutrir um carinho especial por ambas, não é mesmo? Verdadeiras inspirações !! ♥

Espero que tenham gostado do post de hoje.
Muito obrigada por acompanharem até aqui e até amanhã.

Com muito carinho ♥,
Juliana Fiorese.

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Livros:

SHELLEY, Mary
Frankenstein / Marry Shelley ; tradução de Márcia Xavier de Brito, Carlos Primati ; ilustrações de Pedro Franz. – Rio de Janeiro : Darkside Books, 2017.

SHELLEY, Mary 1797-1851
Frankenstein ou O Prometeu moderno / Marry Shelley ; tradução de Christian Schwartz ; introdução e notas de Maurice Hindle ; posfácio Rui Castro. – Iª ed. – São Paulo : Peguin Classics Companhia das Letras, 2015.

Sites:

Frankenstein, ou o Prometeu Moderno. DarkSide Books. Disponível em:<http://www.darksidebooks.com.br/frankenstein-ou-o-prometeu-moderno/>. Acesso em: 1 mar. 2017.

Mary Shelley. Wikipedia. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Mary_Shelley>. Acesso em: 27 fev. 2017.

Mary Wollstonecraft – Autora. Boi Tempo Editorial. Disponível em:<http://www.boitempoeditorial.com.br/v3/Autores/visualizar/mary-wolfensoncraft>. Acesso em: 28 fev. 2017.

Mary Wollstonecraft e as origens do feminismo. Blog da Boi Tempo Editorial. Disponível em:<https://blogdaboitempo.com.br/2015/04/27/mary-wollstonecraft-e-as-origens-do-feminismo/>. Acesso em: 28 fev. 2017.

Mary Wollstonecraft. Wikipedia. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Mary_Wollstonecraft>. Acesso em: 28 fev. 2017.

Links do Especial Mary Shelley:

Introdução e Unboxing | Projeto Gráfico Edição DarkSide Books | Mary Shelley e Mary Wollstonecraft |
Processo Criativo Ilustração Mary Shelley | Impressões de Leitura Frankenstein |
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Juliana Fiorese

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