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Black Hole

Tudo ficou cinza e foi virando uma escuridão imensa.
Uma escuridão que aumentou na minha frente até me preencher.
[Black Hole, p. 145]

Desde que eu soube que a DarkSide Books lançaria Black Hole, eu passei a contar os dias para ter em mãos esse quadrinho maravilhoso que há tempos estava esgotado aqui no Brasil.

Poder reler essa história, em uma edição de alegrar o coração de qualquer fã, foi incrível. O post de hoje é sobre as minhas impressões de leitura dessa obra-prima de Charles Burns.

*Quadrinho com conteúdo adulto: nudez, sexo e drogas.

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A história

Black Hole acontece por volta dos anos 70, quando uma epidemia começa a se espalhar entre os jovens através do contato sexual, transformando-os em criaturas com mutações físicas que vão se manifestando de maneiras distintas em cada pessoa – algumas mais bizarras e assustadoras que outras.

A epidemia do quadrinho lembrou muito o surto de AIDS que aconteceu nos anos 80.

Em Black Hole, acompanhamos a jornada de adolescentes que estão em um momento de transição para a vida adulta, transformações no corpo, envoltos por muita tensão sexual, autoafirmação, necessidade de  liberdade e ao mesmo tempo falta de esperança, monotonia da época encontrando uma saída nas drogas e tomando decisões que mudarão as suas vidas para sempre.

É angustiante ver as escolhas que os personagens abraçam e não poder fazer nada. Em vários momentos eu ficava torcendo para que não fizessem aquilo, mesmo já sabendo o que ia acontecer nas próximas páginas.

De alguma maneira, eu fui me apegando a cada protagonista… E me entristecendo com as consequências de seus atos.

A doença do quadrinho é como se fosse realmente um buraco negro; quando a pessoa é contaminada, não tem como escapar daquilo, indo de encontro com a Teoria da Relatividade Geral, que afirma que nada pode escapar dessa região do espaço.

A analogia com o termo da física é muito pertinente; eu adorei a escolha como título para essa história.

Black Hole é repleto de cenas bizarras, muita tensão e terror existencialista, seguindo uma narrativa não linear, quando a história é contada através do ponto de vista – e também de lembranças, sonhos e pensamentos – de três personagens – Rob, Keith e Chris -, de maneira tranquila e calma com suas pausas onde os relatos vão se encontrando ao longo dos capítulos e se complementando até a história chegar ao fim.

Uma das coisas mais maravilhosas desse quadrinho são os detalhes que Charles Burns vai espalhando pelas páginas, seja através de algum diálogo entre amigos ou algumas ilustrações de início de capítulo, que vão nos dando alguns indícios do que vai acontecer lá na frente.

E assim ele vai nos conduzindo, desde o início da manifestação da epidemia até seu ápice, quando os infectados começam a ser excluídos – e se excluir – da sociedade.

As ilustrações de Burns, todas feitas em pincel com alto contraste em preto e branco, são absurdamente detalhadas, repletas de significados e maravilhosas, na minha opinião.

Perceber as mudanças de sensações de Keith, Rob e Chris através dos próprios quadros é sensacional e nos faz imergir ainda mais naquele contexto, fazendo com que nos sintamos, de fato, na pela de cada personagem.

Um exemplo dessa sensação é sequencia de quando Keith desmaia na aula de biologia, as imagens diversas que aparecem para ele, depois a escuridão e, aos poucos, as silhuetas das pessoas ao seu redor, e quando ele acorda, os quatro quadros da pagina 15 remetem ao movimento que ele vai fazendo, olhando para cada pessoa que estava ali.

Ou quando a gente se depara em um momento que o personagem está um pouco desestabilizado e os quadros fogem do padrão, ficam bagunçados, remetendo à bagunça interna:

Ou simplesmente quando entramos nos pensamentos, sonhos ou lembranças de cada um, facilmente perceptíveis com a borda ondulada de cada quadro:

E tantas outras soluções narrativas que vão nos inserindo totalmente na história.

Vale muito à pena também perceber como a doença vai alterando a personalidade de cada um e como ela vai matando tudo que existe no âmago das pessoas.

O mais legal é discutir o final da história, porque ela meio que deixa a critério do leitor imaginar o que acontece com cada um.

Detalhes da edição

Ensaio fotográfico Black Hole

Vocês já pensaram em como seriam as pessoas infectadas pela doença de Black Hole na vida real?

Os fotógrafos Max Oppenheim e Bill Turpin imaginaram e ainda fizeram uma série colabarativa de fotografias homenageando Charles Burns e sua obra de arte. Confere aqui:

Muito louco, né?

Black Hole e Planeta dos Macacos

Outra curiosidade relacionada à obra de Charles Burns é que Black Hole aparece no filme Dawn of the Planet of the Apes – Planeta dos Macacos: O Confronto – na cena em que Alexander encontra Maurice e entrega-lhe um exemplar do quadrinho:

Edições brasileiras

Black Hole chegou ao Brasil pela primeira vez em duas edições – Introdução à biologia e O Fim -, em capa mole, que já estão esgotadas há muito tempo. Foi através da editora Conrad que conheci o quadrinho e me encantei com o trabalho de Burns.

Agora a DarkSide Books o traz para nós nessa edição maravilhosa, em volume único, e eu não tenho como agradecer. A experiência de releitura de Black Hole foi muito incrível.

Black Hole

É isso, gente. 

Espero que tenham gostado do post de hoje.
Muito obrigada por acompanharem até aqui.

Com muito carinho ♥,
Juliana Fiorese.

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