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Gente Pobre

Gente Pobre é o primeiro livro do projeto de leitura Dostô, esse lindoclica aqui para ver o vídeo do projeto -, criado pela Isa Vichi do canal Lido Lendo, para lermos juntos toda a obra já publicada aqui no Brasil de Dostoiévski, em ordem cronológica.

No post de hoje registro as minhas impressões de leitura desse livro incrível.

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Gente Pobre

Gente Pobre vai nos contar, através de cartas trocadas, alguns momentos da história de Varvara Dobrosiólova, uma jovem órfã que, raramente consegue trabalhos de costura para sustentar-se e, muitas vezes, encontra-se doente e fraca; e de Makar Diévuchkin, um senhor que trabalha no mais baixo cargo de uma repartição pública e usa todo o pouco que ganha para manter e tentar trazer um pouco de cor e alegria, seja através de flores ou doces, para a vida de Varvara, privando-se assim de passar uma velhice um pouco, minimamente, melhor.

Diévuchkin mora no pior dos “quartos” de um alojamento: um espacinho na cozinha, separado apenas por alguns tabiques! Além disso, seu “quarto” está bem próximo de onde estendem as roupas. Quando ele descreve o mau cheiro e o cheiro de fritura dos peixes pela manhã, mas em seguida acrescenta que não se importa, que logo se acostuma e que acha até um bom local, é impossível não encher os olhos de lágrimas.

Em toda a extensão de Gente Pobre Dostoiévski vai nos retratar isso: duas pessoas que vivem em tamanha miséria, mas que têm o coração tão imenso e compadecem-se sempre com o próximo, sem reclamar ou medir consequências e esforços, dando-lhes até o que não tem para ajudar o outro. Isso fica muito claro quando Diévuchkin descreve a família de indigentes – os Gorchkov – que chega para morar no mesmo alojamento que ele, ou na ação de Varvara no episódio com o pai de Pokróvski e o presente de aniversário, e em tantos e tantos outros momentos que amolecerão o coração do leitor e o farão repensar nas nossas próprias atitudes diárias.

Foi esse “pensar no próximo” em primeiro lugar, mesmo quando não se tem nada nem para si, que mais me emocionou ao longo da leitura. O coração fica partido com tamanha pobreza, mas fui arrebatada com as atitudes de tamanha delicadeza vindas de corações tão bons, o que, às vezes, nos é tão distante hoje em dia.

Achei interessante também perceber que em meio a uma avalanche de miséria, de sofrimento, de tantos “nadas”, como os momentos de pequenas alegrias se elevam, mesmo que rapidamente, trazendo uma esperança passageira tanto para os personagens como até para o leitor – e nos agarramos a cada detalhe. Me pareceu como se estivessem todos se afogando e, nessas pequenas alegrias, é como se conseguissem subir à superfície para tomar um pouco de ar, antes de submergir novamente.

“Talvez seja por isso que tenha passado com tanto entusiasmo e com tanto amor para a minha memória até os pormenores mais insignificantes de minha insignificante vidinha nos meus dias felizes.” (pág. 61)

Aos poucos nós vamos conhecendo cada vez mais sobre a vida de Diévuchkin e de Varvara, e, em alguns momentos, senti aflição nos hiatos entre uma carta e outra (é legal acompanhar essas datas, e ainda mais interessante perceber o que acontece na última carta e seus motivos).

Dostoiévski também vai nos mostrar um pouco, através da história de Varvara, a transição da vida no campo para a vida em Petersburgo, na esperança e na busca de uma vida melhor, mas encontrando em seu lugar miséria e desgraça.

O final do livro é de um desespero, de uma dor, de uma desolação tão grande que eu fico me perguntando como é que Dostoiévski consegue retratar essas coisas de forma tão convincente. Gênio: “capacidade, por assim dizer, de entrar na pele de uma outra criatura completamente estranha a ele.” (pág. 181) E outra! Apesar do livro apresentar-nos essa grande pobreza na vida das pessoas, em alguns momentos, o autor nos faz rir, como por exemplo, na situação em que Varvara tenta pegar um livro de Pokróvski, e mais algumas outras situações engraçadas.

Ao terminar Gente Pobre, senti que essa história é uma montanha russa de sentimentos e que certamente embarcarei novamente em algum outro momento. Amei o livro e aguardo ansiosa a discussão no grupo de leitura e também o próximo livro do projeto. Aproveito para convidar a quem tiver interesse para participar desse projeto da Isa que está incrível.

Algumas frases

“(…) Sabe de uma coisa, minha querida?, é meio embaraçoso não tomar chá; aqui só tem gente de recursos, de modo que é embaraçoso; é pelos outros que a gente toma, Várienka, para manter a aparência, por ser de bom tom; (…).” (Gente Pobre, Dostoiévski, Editora 34, pág. 15)

“Mas às vezes acontece mesmo de a pessoa se deixar levar por seus próprios sentimentos a ponto de se pôr a dizer disparates.” (Gente Pobre, Dostoiévski, Editora 34, pág. 20)

“Ele tinha muitos livros, e só livros raros e bem valiosos. Dava aulas em um outro lugar também e recebia uma remuneração, de maneira que, mal ganhava um dinheirinho, ia na mesma hora comprar livros.” (Gente Pobre, Dostoiévski, Editora 34, pág. 41)

“É cansativo ficar sozinha – disse-me ele -, trouxe-lhe este livro, pegue-o; assim não se sentirá tão cansada.” (Gente Pobre, Dostoiévski, Editora 34, pág. 51)

“Pokróvski sempre me emprestava um livro; de início eu lia para não adormecer, depois com mais atenção, depois com avidez; de repente foi se abrindo diante de mim um mundo de coisas novas, que até então ignorava e desconhecia. Novos pensamentos e novas impressões afluíam de uma só vez, numa torrente caudalosa, ao meu coração. E quanto mais inquietação, quanto mais perturbação e esforço me custava a acolhida dessas novas impressões, mais caras elas me eram, mais docemente abalavam toda a minha alma. De repente elas foram se aglomerando em meu coração, de uma só vez, sem lhe dar descanso. Um estranho caos começou a sublevar todo o meu ser. Mas essa violência espiritual não foi capaz, não teve forças para me transformar por completo. Eu era sonhadora demais, e isso me salvou.” (Gente Pobre, Dostoiévski, Editora 34, pág. 54)

“Mas quero lhe dizer, minha querida, que, embora seja uma pessoa ignorante, estúpida talvez, tenho coração, como qualquer outra pessoa.” (Gente Pobre, Dostoiévski, Editora 34, pág. 67)

“Tenho meu próprio pedaço de pão; é verdade que é um pedaço de pão simples, às vezes chega a ser pão seco, mas é ganho com trabalho, consumido de modo legal e irrepreensível. E o que mais posso fazer?! Pois eu mesmo sei que não é grande coisa o que faço, que é copiar; mas assim mesmo me orgulho disso: trabalho, derramo meu suor.” (Gente Pobre, Dostoiévski, Editora 34, pág. 68)

“Na verdade, que gosto há de se ter na vida quando se vê uma criança sofrendo, e ainda por cima o próprio filhinho, sem ter com que socorro-lo?” (Gente Pobre, Dostoiévski, Editora 34, pág. 72)

“A literatura é coisa boa, Várienka, muito boa; disso me inteirei anteontem através deles. É algo profundo! É algo que edifica e fortalece o coração das pessoas, (…). A literatura é um quadro, ou seja, em certo sentido um quadro e um espelho; é a expressão da paixão, uma crítica tão fina, um ensinamento edificante e um documento.” (Gente Pobre, Dostoiévski, Editora 34, pág. 74)

“(…) acontece mesmo de a pessoa viver sem saber que ali, do lado dela, tem um livro no qual toda a sua vida está exposta como os dedos da mão. E coisas que antes, por si mesma, não havia sido capaz de adivinhar; aí, assim que começa a ler num livro desses, já por si mesma vai aos poucos recordando, descobrindo e adivinhando tudo” (Gente Pobre, Dostoiévski, Editora 34, pág. 87)

“A infelicidade é uma doença contagiosa.” (Gente Pobre, Dostoiévski, Editora 34, pág. 98)

“Por isso acontece sempre assim, de modo que uma pessoa boa vive em desolação, enquanto a outra qualquer é a própria felicidade que vem lhe assediar?” (Gente Pobre, Dostoiévski, Editora 34, pág. 134)

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É isso, gente. 

Espero que tenham gostado do post de hoje.
Muito obrigada por acompanharem até aqui.

Com muito carinho ♥,
Juliana Fiorese.

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