Livros ♥

Só os animais salvam

O que significa ser humano?
Talvez só os animais saibam.”
– Boria Sax, fundador da Nature
in Legend and History (NILAS)
[Só os animais salvam, p. 167]

Só os animais salvam é uma nostalgia à história da humanidade voltando o olhar para os recantos mais sombrios do coração humano. É aquele livro que quando a gente termina de ler deixa um silêncio. Na alma, sabe?

O post de hoje é sobre as minhas impressões de leitura dos incríveis contos de Ceridwen Dovey, recebido em parceria com a DarkSide Books.

Adquirindo o livro clicando nesse link aqui: Só os animais salvam
você incentiva e ajuda o blog a crescer.

Quando eu vi essa capa – maravilhosa -, eu imaginei que o livro tocaria o meu coração no sentido mais tranquilo da alegria, da felicidade, por conta dos tons das cores escolhidas, das nuvens, das constelações, dos animais, enfim, que me remeteram a certa leveza.

Mas quando a gente vai lendo o livro, ao passar de cada página, de cada capítulo, o sentimento vai ficando muito denso, muito intenso e o coração vai ficando pesado.

Ao terminar a leitura, eu entendi a escolha da capa. Ela transmite a leveza de ser animal.

O livro

Ceridwen Dovey deu voz às almas dos animais para que eles nos mostrem o quão desumano é o humano.

Em Só os animais salvam nós fazemos uma verdadeira viagem no tempo, voltando à 1892 com a exploração de animais para trabalhos pesados, passeamos pelas Grandes Guerras Mundiais, pela Guerra Fria, Guerra do Golfo, chegando ao terrorismo e às expansões territoriais.

Ao mesmo tempo que Dovey fala de guerras físicas, das trincheiras, das filas de racionamento, etc., ela também aborda as nossas próprias guerras internas em alguns momentos do texto: questões de gênero, questões relacionadas ao próprio corpo, enfim.

Então ela nos mostra o nosso relacionamento com os animais, como fomos/somos cruéis com eles e como eles, mesmo assim, nos retornam o olhar carinhoso, inocente.

Só os animais salvam também é uma grande homenagem à escritores que já escreveram sobre animais, então vai ser muito comum deparar-se com familiares de Tolstói, Virginia Woolf, George Orwell, Sylvia Plath, Douglas Adams, etc..

Todas as notas sobre as fontes estão listadas no final do livro.

Eu li o livro de uma só vez, todos os contos me emocionaram de alguma maneira e certamente vou relê-los outras vezes. Um por vez, devagar, para refletir mais sobre cada história.

Achei o livro tão marcante que, até escrevendo esse texto, me vi pensando em cada animal e seus relatos. Eu amei esse livro. Certeza que já é uma das melhores leituras do ano.

Detalhes da edição

Algumas frases

“Ouvi-o dizer que gostava de colocar animais em suas histórias porque fazia os humanos parecerem piores.” [Alma de Camelo, p. 16, DarkSide Books]

“Está implorando para que eu abra uma trilha do tamanho de nossos passos, uma que seja obliterada às nossas costas após passarmos, […] ?” [Alma de Gata, p. 40, DarkSide Books]

“Eles – os humanos, quero dizer – parecem acreditar que o que os separa dos outros animais é a sua habilidade de amar, sofrer, sentir culpa, pensar abstratamente et cetera. Estão enganados. O que os separa é seu talento para o masoquismo. É aí que reside o seu poder. Ter prazer na dor, tirar forças da privação, isso é ser humano.” [Alma de Chimpanzé, p. 53, DarkSide Books]

“Para os alemães, animais não são meras criaturas no sentido orgânico, mas criaturas que conduzem as próprias vidas e possuem faculdades perceptivas, que sentem dor, experimentam alegrias e demonstra, ser fiéis e dedicados.” [Alma de Cachorro, p. 74, DarkSide Books]

“Um sábio amigo certa vez me disse que a bondade, assim como a crueldade, pode ser uma expressão de dominação.” [Alma de Cachorro, p. 86, DarkSide Books]

“Sabe o que aprendi, agarrado ao casco daquele bote, sentindo o mar agitado, se erguendo e baixando para revelar o céu? Que o céu sobre o mar é arisco e belo como o próprio mar.” [Alma de Mexilhão, p. 102, DarkSide Books]

“Todo mundo quer o Paraíso, mas ninguém quer morrer por isso!” [Alma de Mexilhão, p. 103, DarkSide Books]

“[…] eu quis cobrir sua concha aberta e dizer para nunca bocejar, que não era permitido, que a vida era muito cheia de novidades para que ela ficasse cansada.” [Alma de Mexilhão, p. 104, DarkSide Books]

“Continue ávido assim, garoto. Você está no caminho certo. Tenho que concordar com essa sua história de espontaneidade, viver improvisando, inventando os passos conforme anda. É a única forma de suportar esta vida imunda, de transforma-la em algo radiante. Você vai chegar lá, se sobreviver. Mas não há virtude alguma em correr na direção da morte, lembre-se disso.” [Alma de Mexilhão, p. 105, DarkSide Books]

“Somos todos pequenos mundos.” [Alma de Mexilhão, p. 106, DarkSide Books]

“Tenho consciência de que as descobertas e epifanias que uma pessoa tem ao ler nem sempre são, necessariamente, interessantes a outras, assim como os relatos de viagens pessoais na maior parte das vezes causam tédio. Tentei entender a razão disso para os humanos, e concluí que tem algo a ver com a qualidade alquímica e mágica das descobertas feitas em livros (ou viagens): são fundamentalmente particulares e idiossincráticas, e, para cada pessoa que as experimenta, parecem coerentes, afortunadas, destinadas especificamente para elas naquele momento específico da vida. [Alma de Tartaruga, p. 119, DarkSide Books]

“E se a uma pessoa não é permitido, em momentos de solidão, desenvolver os muitos recursos de sua própria mente (intelectual, criativo, emocional, espiritual) para que possa se reerguer por si, oferecer boa companhia a si mesma, experimentará a desolação profunda de se ver alienada até do melhor de si. Nada pode ser mais desolador.” [Alma de Tartaruga, p. 121, DarkSide Books]

“O que significa ser humano? Talvez só os animais saibam.” – Boria Sax, fundador da Nature in Legend and History (NILAS) [Alma de Urso, p. 167, DarkSide Books]

“Talvez vocês devessem estar fazendo outras perguntas. Por que às vezes tratam outras pessoas como humanos, às vezes como animais? E por que às vezes tratam criaturas como animais, e outras vezes como humanos?” [Alma de Golfinho, p. 192, DarkSide Books]

“É pior ter liberdade e perdê-la ou nunca saber o que é ser livre?” [Alma de Golfinho, p. 194, DarkSide Books]

“Ser mãe me ensinara a viver no presente, no instante imediato, a estar preparada para responder às necessidades mais urgentes e a me desconectar de outros pensamentos e ondas de ansiedade, a estar com ela sem pensar em passado ou futuro.” [Alma de Golfinho, p. 208, DarkSide Books]

“[…] seus sentimentos eram cada vez mais profundos, [..] se tornavam cada vez mais nuançados, unindo-os muito mais do que qualquer cerimônia oficial poderia.” [Alma de Golfinho, p. 209, DarkSide Books]

“Qual a utilidade de uma consciência de si quando tudo que ela faz é criar a sensação de um cerco constante?” [Alma de Golfinho, p. 210, DarkSide Books]

Não há nada igual à energia deslumbrante de uma criança ouvindo histórias, ávida pela voz da mãe.” [Alma de Golfinho, p. 215, DarkSide Books]

Projeto Gráfico

A edição segue aquele padrão de qualidade maravilhoso que os demais livros da DarkSide Books, mas um detalhe me chamou a atenção e eu achei incrível.

Em todo começo de conto, há uma ilustração de silhueta preta do animal referente ao conto da vez e, no background branco, várias constelações, na página esquerda do livro.  Consequentemente, os contos sempre iniciam na página da direita.

Porém, quando o texto termina na página esquerda do livro, o editor resolveu colocar a silhueta do animal na cor branca com constelações inseridas nela e, em todo o seu redor, a página é inteiramente preta.

Me fez pensar que é como se, quando o animal morre, todo o universo estivesse contido na alma do animal e, por fora, todo o infinito (preto); diferente da imagem de início dos contos, que é o oposto. Achei genial. Isso acontece nos contos do camelo, da tartaruga, do urso e do papagaio.

Conseguiram manter o padrão do início dos contos – ilustração na página esquerda e início de conto na página direita – e ainda acrescentaram mais significado ao livro com as páginas que “sobrariam”.

DarkSide Books sendo DarkSide Books né, gente? Eu achei lindo!

Presentes DarkSide

Além do livro, a DarkSide enviou para seus parceiros alguns presentes incríveis:

♥ ♥ ♥

Adquirindo o livro clicando nesse link aqui: Só os animais salvam
você incentiva e ajuda o blog a crescer.

É isso, gente. 

Espero que tenham gostado do post de hoje.
Muito obrigada por acompanharem até aqui.

Com muito carinho ♥,
Juliana Fiorese.

♥ MINHA LOJINHA ONLINE ♥

Lembrando que, comprando qualquer livro clicando aqui: Amazon
você ajuda o blog a crescer e incentiva cada vez mais a postagem de
novas resenhas como essa por aqui .

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *