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Hex

Isto é o quanto basta para as pessoas mergulharem na insanidade:
uma noite a sós consigo mesmas e o que mais temem.
[Hex, pág. 330, DarkSide Books]

Desde que eu fui convidada pela DarkSide Books para fazer uma análise da capa do livro de Hex antes mesmo de ter o livro em mãos – clica aqui para ler o post, foi uma experiência incrível -, a vontade de conhecer a história só foi aumentando.

E, valeu a espera, gente. Que livrão.

O post de hoje é sobre as minhas impressões de leitura de Hex.

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DarkSide sempre faz um trabalho impecável em suas edições e eu não poderia deixar de parabeniza-la – mais uma vez – assim como à equipe da Retina 78 que fez a capa e o projeto gráfico de Hex. A minha opinião do post de análise sobre a capa do livro continuou a mesma, mas quando eu fechei o meu exemplar e me deparei com a quarta capa, minha pele arrepiou. Sério.

Você que já terminou de ler o livro, dá uma olhadinha na imagem e lembra das últimas frases do texto pra ver só. Genial, né? Tem até uma imagem de gancho ali no início da segunda parte do livro, que eu acho que nem precisava… Porque essa quarta capa já é auto explicativa demais! Trabalho maravilhoso. Parabéns mesmo.

E já que eu comecei o post falando da edição, não poderia deixar de mostrar também as duas ilustrações incríveis das guardas do livro feitas pelo artista brasileiro Vitor Willemann:

Muito lindas, né?

Sobre a história

HEX conta a história da pequena cidade de Black Spring que guarda um perigoso segredo do resto do mundo: a existência de uma bruxa de verdade, Katherine van Wyler.

Logo após Katherine voltar dos mortos, há 350 anos atrás, pessoas conseguiram costurar seus olhos e sua boca e acorrenta-la ao longo de todo o corpo para que seus feitiços malignos não mais atingissem os outros, que temiam por vingança pelo que foi feito com ela na época da inquisição e da caça às bruxas.

E assim, até 2012 – época em que a história aconteceWyler caminha pelas ruas, casas, estradas e florestas da cidade influenciando fortemente os moradores locais e espalhando maldição para quem quer que se aproxime e escute seus sussurros.

Por experiências má sucedidas anteriormente, decidiu-se que o segredo deveria ser mantido para que os habitantes de Black Spring permanecessem em segurança. Dessa necessidade surgiu o aplicativo HEX que monitora todos os passos da bruxa e ajuda em ações para esconde-la de pessoas de fora da cidade. Cada habitante tem o app em seu celular e fica reportando as aparições dela.

Essas aparições são muito assustadoras porque ela chega sem avisar, do nada, permanece o tempo que quiser no ambiente – podendo passar horas ou dias ali – e sai também de repente. E quando a gente pensa na imagem da bruxa e fedor secular, aí é que fica aterrorizante mesmo.

Para completar, Heuvelt descreve alguns de seus movimentos como sendo semelhantes aos de stop motion, sabe? Eu fico muito assustada quando vejo isso em filmes…


Fonte da imagem: The Sassologist


Fonte da imagem: The Sanguine Woods


Fonte da imagem: The Sanguine Woods

Além do aplicativo, a equipe Hex também tenta evitar que qualquer forasteiro venha morar na cidade pois, uma vez estando fixamente ali e conhecendo seu segredo, não poderá mais sair de Black Spring.

Os moradores até conseguem ficar um tempo fora, mas logo são acometidos por pensamentos e imagens em suas mentes tão absurdas e assustadoramente surreais que, se não voltarem correndo para a cidade, só encontram uma maneira de acabar com aqueles pensamentos: suicídio.

Consequência esta também de quem escuta os sussurros da bruxa.

Dito isto, vamos acompanhar o projeto de cinco adolescentes que, por mais que tenham aprendido a vida inteira sobre as consequências resultantes do poder da bruxa e sobre a necessidade de manter o segredo, acreditam que seria melhor, para se ver livre da maldição, contar para o mundo sobre Katherine e pedir ajuda.

Esse projeto consiste em vários testes que eles fazem com a bruxa e assim a história começa a se desenvolver.

Minhas impressões de leitura

Narrado em terceira pessoa, Hex não nos apresenta exatamente um protagonista além da própria cidade, Black Spring; mas quatro personagens vão aparecer ali por mais tempo: Steve Grant, Tyler (filho mais velho de Steve), Robert Grim (vigilante da Hex ) e Griselda Holst.

Através desses personagens podemos ver diferentes pontos de vista sobre Black Spring: um com o olhar mais cético, outro com um olhar mais esperançoso, outro com o olhar mais debochado e, por fim, um com o olhar mais fanático sobre o que envolve a cidade.

Esse foi um dos pontos que achei bem interessante na narrativa, porque são pessoas diferentes com histórias de vida também totalmente distintas apresentando, de acordo com suas convicções, os mistérios da cidade e de Katherine van Wyler para o leitor.

Com um texto extremamente envolvente e muito bem ambientado, Thomas Olde Heuvelt nos conduz em uma narrativa recheada de detalhes e informações que vale a pena prestar atenção, porque tudo faz sentido no contexto… Uma pergunta que um filho faz para um pai, uma proteção que uma mãe oferece ao filho, uma passagem por um círculo de fadas, uma história que aconteceu muito antigamente, tudo, tudo nesse livro tem uma explicação lá na frente e um motivo forte para ter sido mencionado lá no comecinho; tudo tem uma razão de estar ali. E isso é muito maravilhoso.

Eu adorei a escrita de Heuvelt pelo nível de detalhamento de ambientes, expressões, personagens. Em minha leitura, parecia que eu estava assistindo a um filme.

Ele vai nos contar com calma e detalhes toda a história de Back Spring, muitos dos acontecimentos antigos, a história de Katherine van Wyler, a história da própria Hex e de alguns personagens. E ele faz isso ao longo das primeiras 150 páginas para começar a nos conduzir, enfim, para momentos angustiantes que vão numa crescente cada vez mais desesperadora. O caos que inicia ali nas últimas páginas é terrivelmente assustador!

Algumas referências de vida de Heuvelt estão ali na história, e eu achei tão interessante quando ele aplicou a sua própria fala e pensamento pessoal na voz de um dos personagens – Pete VanderMeer, se não me engano, quando estão procurando o cachorro na floresta -, sobre não acreditar mais em bruxas mas continuar fazendo isso para manter o equilíbrio – foi muito Stan Lee ou Quentin Tarantino nas pequenas e rápidas aparições que eles fazem em seus próprios filmes -. ♥ ♥ ♥

Esses detalhes deram ainda mais força à Black Spring em minha visão depois que li a parte dos agradecimentos e ele comenta sobre isso.

Sem falar nas referências que o autor aplica em Hex de maneira muito sutil e nada forçada de histórias que conhecemos e que ficamos felizes ao identifica-las ali no meio, como por exemplo Norman Bates (Psicose, Bates Motel), Morte Rubra (Edgar Allan Poe) e Avada Kedavra (Harry Potter).

Quando eu comecei a ler Hex, eu estava tão ansiosa e esperando tanto para que acontecimentos sobrenaturais provocados pela bruxa aparecessem que, ao terminar o livro, me questionei de onde vinha esse sentimento tão selvagem.

Lógico que quando vamos ler um livro de terror já esperamos – e ansiamos – nos deparar com horrores mesmo; mas em outras proporções, ainda havia aquela impaciência por tais acontecimentos. Aquela necessidade mínima de me deparar com momentos aterrorizantes – que chegarão – de um livro de terror.

E uma das coisas que mais me perturbaram na leitura – muito mais que as aparições da bruxa e seus efeitos -, foi a sensação de que, através dos olhos da bruxa, Thomas Olde Heuvelt nos mostra o pior da humanidade. E que podem passar séculos, a gente continua igualzinho. Isso, pra mim, é muito assustador.

E aí o peso na consciência por querer ver a bruxa em ação.

Outro aspecto bem pesado que encontrei no livro foi como o autor trabalha o poder da mente sobre nós mesmos. Ele mostra muito bem vários aspectos sobre isso que podem ser verdadeiras armas para nós mesmos.  A nossa mente, em nosso próprio controle, ditando o que devemos fazer de acordo com o nosso estado de espírito; a nossa mente comandada por aspectos sobrenaturais, no caso a bruxa e toda a maldição; e, ainda, a nossa mente comandada pelos “grandes” da sociedade.

Tem um determinado momento na história que o Conselho da cidade se reune para decidir alguns detalhes e a gente vê um dos poderosos – Colton Mathers – sorrindo quando percebe que, a qualquer momento, pode surgir um tumulto e um caos ali entre aquelas pessoas – e ele havia planejado exatamente esse circo mesmo. E não tem como ligar essa manipulação à realidade que a gente vive – falo aqui do Brasil – que parece que alguns “gigantes” formulam uma situação e ficam só esperando o caos mesmo, um corpo. É nojento e acontece mesmo.

Heuvelt nos apresenta em Hex  um terror antigo, clássico – através da personagem da bruxa, Katherine -, que acontece na atualidade – em tempos modernos em meio a tantas tecnologias, internet, aplicativos, canais de youtube, etc. -, escrita de maneira muito original e criativa e muito bem desenvolvida ao longo de todas as páginas do livro.

A sensação de quando terminei a leitura foi de não querer sair de Black Springolha Katherine aí exercendo seus poderes.

Detalhes da edição

Algumas frases

“(…) cada sonho não realizado parte o coração humano.” [Hex, pág. 38]

“Você se adapta, e faz sacrifícios. Por seus filhos ou por amor. Por causa de doença ou de um acidente. Porque tem novos sonhos… e, às vezes, por causa de Black Spring.” [Hex, pág. 39]

“São aqueles rostos sorridentes que o incomodam. Deveriam parecer agradáveis, mas não são. São perversos, como sempre foram. Porque quando esses rostos sorriem ele não os reconhece mais. São rostos que esqueceram como sorrir. São rostos com pele demais, muitas rugas para seus anos. São rostos que levam vidas próprias, e todo dia murcham um pouco mais. São rostos achatados, rostos amargos, rostos que enfrentam um estresse insuportável. São os rostos de Black Spring. E, quando tentam sorrir, parece que estão gritando.” [Hex, pág. 52]

“A humanidade já provou inúmeras vezes que tem uma tendência a atravessar barreiras que não deveria.” [Hex, pág. 71]

“A magia existe nas mentes daqueles que acreditam nela, não em sua verdadeira influência sobre a realidade.” [Hex, pág. 119]

“Em vez disso, um pensamento muito mais mundano lhe ocorreu: que existiam momentos que ficavam com você para toda a sua vida, e quase sempre tinham a ver com vida e morte.” [Hex, pág. 151]

“Contra a lógica de um tolo não existem argumentos.” [Hex, pág. 180]

“E, tratando-se de questões do coração, a razão era uma virtude.” [Hex, pág. 194]

“Isto é o quanto basta para as pessoas mergulharem na insanidade: uma noite a sós consigo mesmas e o que mais temem.” [Hex, pág. 330]

“Nós nunca aprendemos.” [Hex, pág. 335]

Presente DarkSide

Além do livro, a DarkSide enviou para seus parceiros uma caveira tenebrosa com a boca costurada:

Outras opiniões

Ao término de minha leitura eu fiquei tão encantada com a história que corri para o youtube para conhecer a opinião de outras pessoas que já haviam lido HEX, e eu me deparei com duas resenhas incríveis, uma do canal Pronome Interrogativoclica aqui para ver o vídeo maravilhoso que a Thaís fez – e outra do canal Navegandoclica aqui para ver o vídeo maravilhoso que o Bruno fez.

Tenho certeza que, após assistir essas resenhas, vocês irão querer ler o livro o mais rápido possível! 

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É isso, gente. 

Espero que tenham gostado do post de hoje.
Muito obrigada por acompanharem até aqui.

Com muito carinho ♥,
Juliana Fiorese.

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